Sábado, 21 de Fevereiro de 2009

Num belíssimo texto, como é habitual em José António Saraiva, o director do semanário Sol discorre hoje sobre as gravatas e os assessores.

Convido à leitura do mesmo na revista do jornal. Enquanto isso não sucede, aqui ficam algumas passagens:

 

"O ano passado registou-se outra mudança. (...) De um dia para o outro toda a gente com pretensões passou a usar gravatas roxas (ou lilases, não sei bem). Abro a televisão e vejo um comentador político ou económico - e lá está de gravata roxa ao pescoço. Mudo de canal, aparece no ecrã um debate sobre qualquer coisa - e dois ou três dos participantes lá estão de gravata roxa. Noutra estação surge um banqueiro a ser entrevistado por um jornalista - e quer o banqueiro quer o jornalista ostentam a inevitável gravata roxa. Até Durão Barroso, um homem habitualmente discreto a vestir e que não persegue obsessivamente a moda, aparece por estes dias a discursar atrás de um pódio... de gravata roxa.

(...) Claro que, na maior parte das vezes, não serão os líderes políticos nem os banqueiros a escolher as gravatas que levam à televisão. São os seus assessores de imprensa ou de imagem. Mas aí é que bate o ponto. O erro principal dessas assessorias de imprensa é que tendem a tornar os seus clientes todos iguais. Guiando-se compulsivamente pela moda, por aquilo que está in, pelo que dá um ar "para a frente", os assessores consultam todos os mesmos catálogos, seguem os mesmos padrões -  fazem dos políticos ou empresários para quem trabalham uma espécie de bonecos, de manequins, que vão vestindo de acordo com "o que se usa".

Ora, vestindo-se melhor ou pior; com mais ou menos gosto, as figuras públicas perceberão um dia que deverão vestir aquilo que lhes fica melhor; que está mais de acordo com o seu estilo, com que se sintam mais à vontade."

José António Saraiva - revista Tabu.

 

É recorrente a discussão sobre o papel dos assessores de imprensa, ou imagem, conforme os casos.

Como já aqui escrevi em post recente, Manuela Ferreira Leite parece avessa a estes especialistas, enquanto no extremo oposto, temos políticos mais mediáticos que políticos.

Sem deixar de ser quem são, com as suas qualidades e defeitos (como o comum dos mortais), vejo vantagens no aconselhamento às figuras públicas, por parte de especialistas em comunicação.

O campo dos media exige alguns cuidados, que só quem tem experiência pode estar mais atento.

A palavra repetidamente dita que podia ser evitada. A mesma roupa que é usada em entrevistas consecutivas. A camisa listada que choca na televisão. As frases inoportunas, mal explicadas. Os assuntos pertinentes no momento. As mensagens descodificadas para cada público. Os silêncios no momento certo. 

Enfim, existe um rol de aspectos a ter em conta, sem desvirtuar a pessoa.

 

Voltando à gravata roxa. Pois bem, sem ser figura pública, prometo deixá-la no cantinho do armário. 

 



publicado por notasdeabrantes às 18:42 | link do post | comentar | favorito

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