Sábado, 22 de Novembro de 2008

"Descobriu cedo que a comunicação é a alma e a arma do negócio. Mário Nogueira, 50 anos - um quarto como sindicalista dos professores -, sabe há muito que tem de passar a mensagem, de se fazer ouvir, de passar na rádio, na televisão e na imprensa. Os seus dias são por isso uma azáfama mediática. Na quinta-feira, dia do Conselho de Ministros extraordinário para tratar do problema da avaliação, chegou cedo à RTP para ser entrevistado. Voltou, horas mais tarde, para comentar em directo para a RTPN a conferência de imprensa da ministra. E fez logo um "três em um": mal saiu do estúdio, foi directo à secretária de Judite de Sousa, com quem falou para a "ajudar" a preparar a entrevista que Lurdes Rodrigues lhe daria à noite. Uma jornalista da Antena Um aguardava na fila para uma entrevista destinada ao noticiário da hora certa. Aproveitou e marcou logo presença. São três "passagens de mensagem" num só edifício.

Missão cumprida, Mário Nogueira sai, de carro, cumprimentando o segurança da RTP que, por o conhecer de ginjeira, já dispensa apresentações. Segue para a SIC, para o Jornal das Nove. Às 23 horas, regressa à RTP para participar no "Corredor do Poder". Voltará no dia seguinte, às oito menos dez da manhã, à mesma estação de televisão.

Nos intervalos - pequenos e em trânsito - desdobra-se em telefonemas. Retribui as mensagens que caem às dezenas cada vez que desliga o telemóvel. Foram 72, quando parou o telefone para ser entrevistado na TVI por Constança Cunha e Sá. Entre a sede da Fenprof e a RTP vai uma distância de 10 minutos. No total: 12 chamadas não atendidas e 24 mensagens recebidas.

É assim há muito tempo. "Tem uma enorme capacidade de trabalho", diz Rosa Medeiros, há 30 anos secretária da Fenprof e há ano e meio a seguir o novo secretário-geral. Recusa assessores de imprensa e Rosa só filtra algumas chamadas. "É muito acessível. Dá o número de telemóvel a toda a gente e trata dos assuntos directamente". Começa cedo e acaba tarde, sempre a atender telefonemas, mandar "e-mails", combinar "aparições" nos media.

"Temos uma grande desvantagem em relação ao Governo, quando queremos passar a mensagem", diz Mário Nogueira. A fórmula para tornear este problema aprendeu-a, em Coimbra, no Sindicato dos Professores do Centro, onde fez o tirocínio sindical inteirinho. Farto de convocar conferências de imprensa com audiência zero, passou a seguir cada governante que pusesse o pé no concelho. "Os ministros traziam sempre a comunicação social atrás. Só precisávamos de a aproveitar". Chegavam antes, juntavam meia dúzia de cartazes e propunham-se entregar documentos ao ministro ou secretário de Estado que lhes calhasse na rifa. Tiro certeiro. Os jornalistas aproximavam-se e ganhavam tempo de antena.

Percebeu os pequenos truques, as frases curtas e directas, o tom desabrido que resulta sempre perante as câmaras. O palco mediático tornou-o conhecido demais para que Guterres, Marçal Grilo , José Manuel Canavarro ou Diogo Feyo o pudessem ignorar. Na lógica de "se não o podes abater, junta-te a ele", Mário Nogueira passou a fazer parte das agendas dos governantes. António Guterres cumprimentava-o mal punha o pé fora do carro, em qualquer visita à região Centro. "Onde está o Mário Nogueira?", perguntava, e lá resolvia o assunto dando ao adversário cinco minutos de fama na televisão. Sem mais danos colaterais."

Jornal Expresso - hoje.

 



publicado por notasdeabrantes às 18:46 | link do post | comentar | favorito

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